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	<title>Estação Cavalcante</title>
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		<title>Estação Cavalcante</title>
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		<title>&#8220;Viagem através duma Nebulosa(1960)&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 23:33:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo da algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra,quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.
António Ramos Rosa
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Para um amigo tenho sempre um relógio</strong></p>
<p>esquecido em qualquer fundo da algibeira.<br />
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.<br />
São restos de tabaco e de ternura rápida.<br />
É um arco-íris de sombra,quente e trémulo.<br />
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.</p>
<p><em>António Ramos Rosa</em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Peripécias da Face</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/22/peripecias-da-face/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 17:19:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danilodiogenes.wordpress.com/?p=126</guid>
		<description><![CDATA[O rosto de um homem tem sete mil faces.
Linhas que ele mesmo não conhece.
Expressões e molduras jamais imaginadas.
Há palavras despedaçadas e romances que
Colorem o pálido branco enegrecendo o pardo.
O rosto de um homem se desconhece em si,
De uma hora para outra, olha-se no espelho
E o espanto o medo o nojo e o tédio esmagam
O vermezinho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=126&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O rosto de um homem tem sete mil faces.<br />
Linhas que ele mesmo não conhece.<br />
Expressões e molduras jamais imaginadas.<br />
Há palavras despedaçadas e romances que<br />
Colorem o pálido branco enegrecendo o pardo.<br />
O rosto de um homem se desconhece em si,<br />
De uma hora para outra, olha-se no espelho<br />
E o espanto o medo o nojo e o tédio esmagam<br />
O vermezinho que acordara viçoso, resplendente.</p>
<p>O rosto de um homem não explode mas demonstra<br />
A fúria de suas erupções, demonstra o fogo.<br />
As labaredas, quando acesas, não hesitam em trazer<br />
O vermelho do sangue que, movimentado, promove o tumulto.</p>
<p>O rosto de um homem segreda mil rostos de raiva,<br />
Gozo, antipatia pelo próximo, revela a imoralidade<br />
De, no quarto escuro, desejar ruindades para outro homem.<br />
O rosto de um homem tem sete mil faces e as sete mil<br />
Faces que tem são todas as sete mil faces de Deus.<br />
O rosto de um homem passa, já passou e passará outro.<br />
Dorme sobre cama, roça-se em folhas, pelos vãos<br />
Dos corredores, aceita estar oculto, mas quer ser visto,<br />
Perseguido e fotografado, e, depois, agredir seu perseguidor.<br />
O rosto de um homem vai ao cinema ao baile de carnaval<br />
Vai à praia, conversa pela janela do carro com uma <em>dama</em>,<br />
Calcula, chora, sente uma brisa, compra cigarros,<br />
Beija bocas (sete mil delas em sete mil faces diferentes),<br />
O rosto de um homem sofre mil sofrimentos desiguais.<br />
O rosto de um homem quer minar o concreto da cidade<br />
E disseminar sua jardinagem única em sete mil unidades,<br />
Cada qual com coragem para provocar um escândalo.<br />
O rosto de um homem vai voar com suas asas de papel,<br />
E se chove&#8230; o rosto de um homem se torna sol e passa<br />
Em urros estridentes, por um orifício ício ício, na parede.<br />
O rosto de um homem vai parar&#8230; lentamente está parando.<br />
O rosto de um homem gira lento, gira l – e – n – t – o,<br />
Gir – ra&#8230; l – e – n – t – o –, g – i – r – a – &#8230;<br />
O rosto de um homem parou: este espelho está com defeito.</p>
<p>D.D.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Vida Moderna</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/18/vida-moderna/</link>
		<comments>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/18/vida-moderna/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 11:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danilodiogenes.wordpress.com/?p=113</guid>
		<description><![CDATA[A Vida não quer parar!
Já gritei a ela — para —  mas ela não para.
Parece girar, e o giro é longo.
Parece amar, e o amor é pouco.
Mente, e a mentira se cobre de ciência.
Ah, a Vida não quer parar, é bem verdade!
Para, Vida!, gritei: mas ela fez que não ouviu&#8230;
Em tarde serena se deita [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=113&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A Vida não quer parar!<br />
Já gritei a ela — para —  mas ela não para.<br />
Parece girar, e o giro é longo.<br />
Parece amar, e o amor é pouco.<br />
Mente, e a mentira se cobre de ciência.<br />
Ah, a Vida não quer parar, é bem verdade!</p>
<p>Para, Vida!, gritei: mas ela fez que não ouviu&#8230;<br />
Em tarde serena se deita na grama, abraça um sorriso,<br />
cheira o sabor de Chuva que vai chegar.<br />
E a Chuva chega, apertada, quer chover rapidinho e ir embora.</p>
<p>Lá fora a Vida continua, e eu grito da janela, Para, Vida,<br />
em um dia desses tu terminas que nem Núncia,<br />
do conto que te li!<br />
E ela me olha, sorridente, e diz que também quer morrer mulher.</p>
<p>D.D.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danilodiogenes.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danilodiogenes.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danilodiogenes.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danilodiogenes.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danilodiogenes.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danilodiogenes.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danilodiogenes.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danilodiogenes.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danilodiogenes.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danilodiogenes.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=113&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Uns versos, de Vida, e de Ar</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/13/uns-versos-de-vida-e-de-ar/</link>
		<comments>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/13/uns-versos-de-vida-e-de-ar/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 16:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danilodiogenes.wordpress.com/?p=107</guid>
		<description><![CDATA[O poeta brasileiro dorme de punhos fechados,
para o caso de ter que brigar com algum sonho.
De dia, porém, passa por lindos campos: por aqui Eleonora esteve.
E nesta casa ao lado Heleura é quem já não está.
Onde outrora sentavam-se os reis
O espaço jaz vazio.
Pelas largas avenidas os comboios passam
( carros de preto e somente preto )
Há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=107&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O poeta brasileiro dorme de punhos fechados,<br />
para o caso de ter que brigar com algum sonho.<br />
De dia, porém, passa por lindos campos: por aqui Eleonora esteve.<br />
E nesta casa ao lado Heleura é quem já não está.<br />
Onde outrora sentavam-se os reis<br />
O espaço jaz vazio.</p>
<p>Pelas largas avenidas os comboios passam<br />
( carros de preto e somente preto )<br />
Há neles autoridades celebridades ou prisioneiros.<br />
E o poeta corre até o portão, vê que é Carnaval,<br />
dia de santo, Sexta-feira da Paixão&#8230;<br />
A mão agita-se de repente.<br />
Vai escrever um verso.<br />
Um versinho pra botar esse país no lugar.<br />
Um versinho pr&#8217;aquela menina ceder um carinho.<br />
Um versinho pro amigo que se foi. —<br />
— Um versinho pra honestidade.<br />
Um versinho pro próprio poeta.<br />
Um versinho com vida lá dentro, e um pouco de ar.</p>
<p>D.D.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danilodiogenes.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danilodiogenes.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danilodiogenes.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danilodiogenes.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danilodiogenes.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danilodiogenes.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danilodiogenes.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danilodiogenes.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danilodiogenes.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danilodiogenes.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=107&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Poema de Canção para Rosana</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/11/poema-de-cancao-para-rosana/</link>
		<comments>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/11/poema-de-cancao-para-rosana/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 11 Nov 2009 12:45:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Falta em meu coração a flor estrelada,
seráfica, estrelária, ouvindo, no jardim,
o estrídulo zumbido das abelhas, a espalhar
pólen e um rio de carícias mil.
Falta em meu coração a flor, imperfeita flor
de cintilantes pétalas, de Adeus, morena!
Falta-me a Flor da Saudade, oh Luar!
Falta-me, entre ares e mares
tua veste clarinha, manta ou véu,
de seda c&#8217;roada com fragrâncias.
Falta-me um bordado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=98&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Falta em meu coração a flor estrelada,<br />
seráfica, estrelária, ouvindo, no jardim,<br />
o estrídulo zumbido das abelhas, a espalhar<br />
pólen e um rio de carícias mil.<br />
Falta em meu coração a flor, imperfeita flor<br />
de cintilantes pétalas, de Adeus, morena!<br />
Falta-me a Flor da Saudade, oh Luar!<br />
Falta-me, entre ares e mares<br />
tua veste clarinha, manta ou véu,<br />
de seda c&#8217;roada com fragrâncias.<br />
Falta-me um bordado de arabescos<br />
sobre nuvens estiradas em cordel.<br />
Falta-me a flor de diamantes, rosa em plumas.<br />
Doente dente-de-leão, ou, girassol francês.<br />
Quero minha flor, estrelada, estrelária,<br />
Velho Amor Petaliforme, rosinha carinhosa,<br />
de mãozinhas bem abertas&#8230;, pingo de sangue!</p>
<p>D.D.</p>
<p>&nbsp;</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/danilodiogenes.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/danilodiogenes.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/danilodiogenes.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/danilodiogenes.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/danilodiogenes.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/danilodiogenes.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/danilodiogenes.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/danilodiogenes.wordpress.com/98/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/danilodiogenes.wordpress.com/98/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/danilodiogenes.wordpress.com/98/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=98&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>António R. Rosa</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/07/antonio-r-rosa/</link>
		<comments>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/07/antonio-r-rosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 21:57:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://danilodiogenes.wordpress.com/?p=96</guid>
		<description><![CDATA[UMA VOZ NA PEDRA 
Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=96&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>UMA VOZ NA PEDRA </p>
<p>Não sei se respondo ou se pergunto.<br />
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.</p>
<p>Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.<br />
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.<br />
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.<br />
A minha tristeza é a da sede e a da chama.<br />
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.<br />
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.<br />
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.<br />
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.<br />
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.<br />
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.<br />
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.<br />
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.</p>
<p><em>António Ramos Rosa</em></p>
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		<item>
		<title>O Guesa Errante</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/06/o-guesa-errante/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 17:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[O Guesa
Canto Primeiro 
Eia, imaginação divina!
Os Andes
Vulcânicos elevam cumes calvos,
Circundados de gelos, mudos, alvos,
Nuvens flutuando — que espetac&#8217;los grandes!
Lá, onde o ponto do condor negreja,
Cintilando no espaço como brilhos
D&#8217;olhos, e cai a prumo sobre os filhos
Do lhama descuidado; onde lampeja
Da tempestade o raio; onde deserto,
O azul sertão, formoso e deslumbrante,
Arde do sol o incêndio, delirante
Coração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=92&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O Guesa</p>
<p>Canto Primeiro </p>
<p>Eia, imaginação divina!<br />
Os Andes<br />
Vulcânicos elevam cumes calvos,<br />
Circundados de gelos, mudos, alvos,<br />
Nuvens flutuando — que espetac&#8217;los grandes!</p>
<p>Lá, onde o ponto do condor negreja,<br />
Cintilando no espaço como brilhos<br />
D&#8217;olhos, e cai a prumo sobre os filhos<br />
Do lhama descuidado; onde lampeja</p>
<p>Da tempestade o raio; onde deserto,<br />
O azul sertão, formoso e deslumbrante,<br />
Arde do sol o incêndio, delirante<br />
Coração vivo em céu profundo aberto!</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>&#8220;Nos áureos tempos, nos jardins da América<br />
Infante adoração dobrando a crença<br />
Ante o belo sinal, nuvem ibérica<br />
Em sua noite a envolveu ruidosa e densa.</p>
<p>&#8220;Cândidos Incas! Quando já campeiam<br />
Os heróis vencedores do inocente<br />
Índio nu; quando os templos s&#8217;incendeiam,<br />
Já sem virgens, sem ouro reluzente,</p>
<p>&#8220;Sem as sombras dos reis filhos de Manco,<br />
Viu-se&#8230; (que tinham feito? e pouco havia<br />
A fazer-se&#8230;) num leito puro e branco<br />
A corrupção, que os braços estendia!</p>
<p>&#8220;E da existência meiga, afortunada,<br />
O róseo fio nesse albor ameno<br />
Foi destruído. Como ensanguentada<br />
A terra fez sorrir ao céu sereno!</p>
<p>&#8220;Foi tal a maldição dos que caídos<br />
Morderam dessa mãe querida o seio,<br />
A contrair-se aos beijos, denegridos,<br />
O desespero se imprimi-los veio, —</p>
<p>&#8220;Que ressentiu-se, verdejante e válido,<br />
O floripôndio em flor; e quando o vento<br />
Mugindo estorce-o doloroso, pálido,<br />
Gemidos se ouvem no amplo firmamento!</p>
<p>&#8220;E o Sol, que resplandece na montanha<br />
As noivas não encontra, não se abraçam<br />
No puro amor; e os fanfarrões d&#8217;Espanha,<br />
Em sangue edêneo os pés lavando, passam.</p>
<p>&#8220;Caiu a noite da nação formosa;<br />
Cervais romperam por nevado armento,<br />
Quando com a ave a corte deliciosa<br />
Festejava o purpúreo nascimento.&#8221;</p>
<p>Assim volvia o olhar o Guesa Errante<br />
Às meneadas cimas qual altares<br />
Do gênio pátrio, que a ficar distante<br />
S`eleva a alma beijando-o além dos ares.</p>
<p>E enfraquecido coração, perdoa<br />
Pungentes males que lhe estão dos seus —<br />
Talvez feridas setas abençoa<br />
Na hora saudosa, murmurando adeus.</p>
<p>* * *</p>
<p><em>Joaquim de Sousa Andrade</em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O resto é perfume</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/11/01/o-resto-e-perfume/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 19:55:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[O resto é perfume
I
Há em sentar-se de frente para o mar
um súbito conforto que nos vem de um outro
recanto onde desfrutamos de maior privilégio.
Aqui sentado, desencontro as casas
e desencontro as luzes dos carros,
que não nos acenam nem nos são
eu e o semicírculo prateado da lua,
desenhado no escuro constelado do firmamento.
Eu e as embarcações, eu e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=82&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O resto é perfume</p>
<p>I</p>
<p>Há em sentar-se de frente para o mar<br />
um súbito conforto que nos vem de um outro<br />
recanto onde desfrutamos de maior privilégio.<br />
Aqui sentado, desencontro as casas<br />
e desencontro as luzes dos carros,<br />
que não nos acenam nem nos são<br />
eu e o semicírculo prateado da lua,<br />
desenhado no escuro constelado do firmamento.<br />
Eu e as embarcações, eu e as aves noturnas,<br />
as ilhotas e os galhardetes, deslizando ao longe,<br />
como pontos vagos desprovidos de luz.<br />
Caí sobre meu pensamento ativo, caí sobre a fogueira<br />
do lual de uns desconhecidos, bem ao lado de onde,<br />
sentado, assumo minha insubsistência<br />
perante movimentos patéticos e obtusos.<br />
Vão uns italianos passeando pela areia,<br />
conversam, e, se eu os entendesse,<br />
saberia que estão a falar de sua pátria<br />
além do Atlântico, saberia que estão a falar<br />
de suas famílias… assuntos pessoais<br />
que não cabem a um estranho perdido no vago olhar.<br />
Tantos edifícios acesos pelo outro<br />
lado da rua imensamente semelhante ao mar!<br />
Tantos olhos amuléticos pelas janelas…<br />
Tomo por dentro de minha pele<br />
a coragem vazia destes olhares<br />
que desafiam a linha invisivelmente azul do horizonte.<br />
Agora, cessado o alvoroto de toda a tarde<br />
fatalmente tumultuada,<br />
de todas as pernas queimadas por sol<br />
e todas as crianças a passear com seus cães,<br />
fiquei eu na eterna confusão de movimentos,<br />
no sobressalto dos atrasados,<br />
no andar provocante das moçoilas sem pretendentes…<br />
Observo o manusear dos barcos, os guardas<br />
e seus apitos que fazem duos com os assobios<br />
dos pescadores, que chamam os peixes<br />
para mais perto de suas iscas lançadas à água.<br />
Ah, a haliêutica permanente que há além das águas!<br />
Lança-se a isca e não se sabe o que virá à superfície.<br />
E pensar que fazer retratos com óleo sobre tela<br />
é arte maior que trazer para casa uma caixa<br />
recheada sabe-se lá de peixes ou de decepção…<br />
Não vim ao mundo para ser um pescador;<br />
não sei se vim pra qualquer coisa,<br />
mas todo esse baixar de escuridão<br />
sobe-me às costas uma coisa exata<br />
que talvez nem seja tristeza…<br />
Passam pelos arrabaldes da imaginação<br />
o terror sórdido das perdas de tamanho<br />
e o descalabro que nos traz<br />
a infelicidade e a falta de espiritualidade<br />
para aceitar que tudo quanto for deserto em nós<br />
é por conta de uma qualquer divindade que possa<br />
estar acima da divindade para quem mulheres<br />
de branco atiram lírios e rosas que, na viração<br />
das ondas, voltarão à areia, e não alcançarão<br />
a aflição das sereias desentendidas.</p>
<p>II</p>
<p>Dir-me-ão meus pensamentos que já soprou o vento que de aqui<br />
levar-me-ia para a expansão deste mundo insensível.<br />
Dirão que melhor seria a queda perniciosa sobre<br />
as pedras, num salto quase-alado, num despejo<br />
de mim mesmo para a imaterialidade de abismos<br />
segredados na imperfeição de eu estar já morto.<br />
Dirão que no casco do pesqueiro mais insueto<br />
há lugar para eu mergulhar pelas horas sombrias<br />
como um monge que se perdesse dentro de sua mente<br />
enquanto meditasse seriamente em ali estar sem sabê-lo.<br />
Entretanto, meus pensamentos e minhas ideias desconhecem<br />
o insubmergível corpo que irrompe o eixo agudo da tristeza<br />
e não se atira, insuave e mórbido, na rota dos iates,<br />
e não se porta mediante toda a demência de ser,<br />
como alguém inocentemente assustado e posto contra uma quina empoeirada.<br />
–Embora medo eu tenha.—<br />
Olhe de lá esses predadores mordazes,<br />
repara em seus dejetos!<br />
No amodorrado delírio de cada um,<br />
dorme uma malícia mais ousada<br />
e um cordão que pronto se dá<br />
para estrangular o que fraqueja.<br />
Jamais a mim passará a miséria<br />
de contar quantos diante de mim tombaram<br />
sem que pudessem meus planos derrubar.<br />
Para derrubar meus planos basta-me<br />
eu-mesmo, que, num segundo menor,<br />
deixo de lado qualquer intento<br />
e ponho de encontro ao vento uma dose<br />
de romantismo e, por um segundo maior,<br />
em recompensa, sou brevemente feliz.<br />
Sou brevemente feliz por ser eu mesmo,<br />
infinitamente parte de mim mesmo,<br />
ainda que incompleto, eu mesmo e nunca<br />
outro a quem atiram olhos anafados,<br />
tédio de todas as coisas insuficientes<br />
que, num relâmpago de acasos, passam<br />
pela ondina sob o luar e voltam<br />
para os seus obscuros passados<br />
que nós jamais veremos.<br />
Eu o mártir da capitania dos portos,<br />
Eu o escrivão da ilha de Vera Cruz, eu o divino!<br />
Eu o padrão secundário de nossas vidas liquidificadas<br />
na mais rarefeita hierarquia que se deu!<br />
Eu o Santo Guerreiro contra<br />
o ardiloso Dragão da Maldade!<br />
(Eu e o físico,<br />
eu e os astros postos acima como suspensos lampadários.)<br />
Eu o sabe-se lá que galho da árvore genealógica de Homero!<br />
Eu, sentado na areia, perdido na areia, um grão na areia,<br />
um mais-isso-ou-mais-aquilo, um nada entre nadas maiores,<br />
e até sendo nada sou menor, e até sendo tudo, porque ser é pensar,<br />
(e isto é uma mentira!)<br />
sou um aglomerado safado de átomos que se desenvolveu<br />
e se desmistificou perante o gélido pulsar de um coração.</p>
<p>III</p>
<p>Ah, ah, ah…<br />
Esta repentina febre que toca o topo da testa<br />
e esta gota de suor que perpassa as vibrações do rosto,<br />
estas consequências de causas e consequências do alheamento<br />
que se dá pelo passar de um ambulante vendedor de óculos,<br />
água, sucos, piadas e bom humor da vida.<br />
Dá-me de aí este par de óculos para que eu o ponha na cara<br />
e cubra-me da argêntea serenidade da lua; mas… espera…<br />
tome-o de volta, brio não há em mim como em ti,<br />
fica pra depois uma aquisição tão crucial,<br />
para outro dia, outra hora, para outra manifestação<br />
da vontade , fica para outra encarnação, se as há.<br />
Se não, fica para o impulso sísmico do centro da terra,<br />
ou para qualquer outra bobagem parecida,<br />
mas, de uma forma ou de outra, fica, alguma coisa,<br />
algures, tem de ficar, tem de ficar…<br />
E eu tenho de passar de lado pelo vão da porta<br />
que dá entrada para o porão das palavras,<br />
e, se já as perco no vento, não me concentro<br />
em imaginar-me correndo, descalço, pelas ondas,<br />
sentindo suas espumas frias tocarem-me o calcanhar<br />
metido pela areia…</p>
<p>IV</p>
<p>Descansa, meu pé, descansa…<br />
Olhe de frente para o mundo.<br />
Depois que descansares, corre,<br />
corre de frente para o mundo<br />
e corre com a ondina fria e sente o que de sensível<br />
há em correr ensandecido pelos cactos aquosos do mar,<br />
e sente no esguio surgir dos risos alheios, pois rirão,<br />
o prazer de uma amora a repousar na língua.<br />
Mas, por hora, descansa, descansa!<br />
Descansa da tua febre comprometida, do teu viver servil<br />
aos meus quereres, do teu ótico esforço para com meus comandos,<br />
que já são palavras perdidas no vento.<br />
Descansa, que eu também penso em descansar.<br />
Também me deito na areia e não penso mais<br />
em correr até onde o litoral termina,<br />
na minúscula ocasião que se manifestaria<br />
através da imortalidade que se me desse.<br />
Eu também tenho a vontade fatídica de descansar.<br />
E deito-me, deito-me na areia e ofereço-me à areia,<br />
para que me embale e me acalente, para que me tenha<br />
como uma criança e para que ame este filho<br />
proveniente de outra mãe.<br />
Este cataclismo edificado em reações desconhecidas<br />
na profundidade terrestre.<br />
Este pano roto, enrolado no braço robusto do pescador<br />
que, na captura de um peixe-espada, feriu-se levemente.<br />
Este ser em explosão de magma e magnetismo, à beira do Atlântico.<br />
A mim a areia embala, feito criança,<br />
no berço, ouvindo os sussurros da mãe<br />
e o azáfama do dia que ainda nem o conhece.<br />
E, eu descanso, descansa comigo,<br />
meu coração diversificado.<br />
Descansa comigo, neste leito<br />
de abrangentes lençóis, descansa comigo,<br />
ao lado meu, bem ao lado meu, como amantes,<br />
e não te escapes pela alta-noite, nas pontas<br />
dos pés, a fugir para a vida que te atrai<br />
com seus cantos de sereia desentendida.<br />
Não saltes pela janela, desacompanhado…<br />
não fujas assim de mim, que nunca mal te quis…</p>
<p>V</p>
<p>A senhorita de olhar dinâmico não se sabe onde vai,<br />
Caminhando lentamente em seu vestido alaranjado.<br />
Para onde quer que vá, deixará parte por aqui<br />
e uma parte de aqui levará consigo antes que seus<br />
pezinhos a carreguem.<br />
Sinto que algo ela deixa, um gesto desdenhoso,<br />
Uma dobra de seu vestido, provocada pelo vento,<br />
Um suspiro, um vácuo; algo, independentemente dela, fica,<br />
Porque tudo que passa e de tudo que passa ou fica tudo ou fica alguma coisa.<br />
Oferecido ou furtado, fica o perfume de seus cabelos.<br />
Fica, além de tudo, a nitidez do desconhecido<br />
que nela habita como um órgão vital a seu corpo.<br />
Como os grãos onde deitado me encontro,<br />
como um feriado, como um seixo, que se aqui estivesse,<br />
seria o mais importante dos seixos,<br />
ou como um rótulo de beijo que designasse os cuidados<br />
a serem tomados com o produto que anunciasse.<br />
E assim a vida seria entre o que ela deixa pelo vestido,<br />
e o que o pelo vestido carrega pra longe.<br />
Mas assim a vida opõe-se a ser. E desperta sua ira<br />
em cada movimento que o mar faz na direção da praia.<br />
E a vida cobre-me de sinceridade hostil,<br />
e em cada salto vem a cair uma pétala de seu cimo haplopétalo,<br />
e “as pétalas” que caem, por não existirem,<br />
sabem a verdade imaterial de eu existir.<br />
Sabem o caminho que me foi herdado,<br />
como os trilhos a que um trem fora fadado a se locomover<br />
até que não mais tenha utilidade humana<br />
ou como um anjo que estende suas aselhas<br />
e foge pela porta do paraíso, deixando um tímido adeus.<br />
Oh, dói-me a cabeça, mas dou-me conta de mim!<br />
Para onde foram os que aqui estavam ao meu redor. Não sei!<br />
Ora, estou só… Só, posso voltar e imaginar-me<br />
o febril corredor tentando achar o fim do litoral.<br />
Posso gritar sem que me ouçam por trás das janelas<br />
de vidro dos apartamentos…<br />
Apenas os pescadores seguem esparsadamente<br />
até o outro lado das pedras, com seus caniços.<br />
Somos apenas nós e tudo em mim a voltar<br />
como o refluxo total de toda a totalidade.<br />
Somos nós e mais todas as coisas que ficaram<br />
e ninguém quis carregar para as distâncias<br />
e “as pétalas” da corola da vida, mergulhando-se,<br />
uma a uma, como donzelas engrinaldadas.<br />
A solidão de estar em meia a isto tudo<br />
vem-me de súbito em forma de memória<br />
e desequilíbrio. Uma dormência na língua<br />
e um pavor de sentir-me no centro da música<br />
tocada por espectros noturnos, que,<br />
em cambiantes mantas, assumem corpos ígneos<br />
e suplicam-me um abraço ou um beijo amigo.<br />
Apenas ver a Ondina na praia, como a crina<br />
de um cavalo a correr, abre-me o senso<br />
e revela-me uma busca além das casas<br />
astrais – uma gentil constelação<br />
sorri-me admirada e canta-me a passagem<br />
do dia como um grande salto de corcel.</p>
<p>VI</p>
<p>Aqui vai o desejo não encontrado e aqui vai<br />
a madrugada…, e vão os pescadores que retornam<br />
com a manifestação dos primeiros raios de sol<br />
que não deixam a manhã acinzentada, mas pintam-na<br />
em revérberos de amarelo ainda envergonhado.<br />
Aqui dá-se a fantasia por fim que não vinha.<br />
Dá-se cada sentimento absoluto, concreto,<br />
como pedras em minha mão, e eu os tenho,<br />
e eu os sei como saberia qualquer outra coisa diversa,<br />
e eu os compreendo entre julgar-me e ter-me.<br />
Sei o quanto perdi neste luar e neste<br />
fio de que minhalma é tecida…<br />
E isso dói e é vazio feito um néctar sem sabor.<br />
E é como ser um cacho de lilás que o vento desloca<br />
para o lado e despeja pelo mundo<br />
a sua taciturna cor que a morte inala.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Dois Poemas</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/10/13/dois-poemas/</link>
		<comments>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/10/13/dois-poemas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 19:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
		
		<guid isPermaLink="false">http://danilodiogenes.wordpress.com/?p=73</guid>
		<description><![CDATA[1- Mallet
À beira d&#8217;um abismo a ferrovia
Cresce, serpenteando pela serra.
Se uma locomotiva se desvia,
O olhar dos passageiros se desterra&#8230;
Quem se atreve a passar no extremo risco,
Num fiasco, consciente de que a morte
Pode chegar tal qual um gato arisco,
Esp&#8217;rando que o comboio se deporte?
Se essa estrada de ferro desempenha
Papel de carrasco, se desdenha
( Como os deuses [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=73&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>1- Mallet</strong></p>
<p>À beira d&#8217;um abismo a ferrovia<br />
Cresce, serpenteando pela serra.<br />
Se uma locomotiva se desvia,<br />
O olhar dos passageiros se <em>desterra</em>&#8230;</p>
<p>Quem se atreve a passar no extremo risco,<br />
Num fiasco, consciente de que a morte<br />
Pode chegar tal qual um gato arisco,<br />
Esp&#8217;rando que o comboio se <em>deporte</em>?</p>
<p>Se essa estrada de ferro desempenha<br />
Papel de carrasco, se desdenha<br />
( Como os deuses desdenham ) dos humanos,<br />
Por onde segue a viajem que é contrária<br />
À beleza que verte a imaginária<br />
Estação onde pairam os desenganos?</p>
<p><strong>2- Intervalo</strong></p>
<p>Este que me olha da janela do último vagão.<br />
Este que me olha.<br />
Onde estão seus olhos?</p>
<p>Sou o único passageiro na estação<br />
Sentado no duro banco de concreto.<br />
Sou um dos mil passageiros por detrás dos seus óculos<br />
E os seus olhos apenas se dirigem a mim.</p>
<p>Partem todos os carros, voam todos os pombos que na rua estavam.<br />
Observa-me, no curto intervalo entre a chegada e a partida,<br />
O viajante sonolento.<br />
Ele me abraça com a alma,<br />
Devora-me com as mãos,<br />
Banha-me com os pensamentos<br />
E com os sentimentos, seca meus cabelos molhados de sol.</p>
<p>É sono que ele tem, e é distante o destino a ser alcançado&#8230;</p>
<p>Não anuncies a partida, voz que vem do fundo das ondas sonoras,<br />
Não anuncies!<br />
Deixe-nos a sós, aqui.<br />
No vão da plataforma voará a ave da misericórdia<br />
Assim como todo homem ama ao outro perdidamente<br />
E assim como ama o mistério que esconde a humanidade&#8230;</p>
<p>Mas a voz anuncia a deixa da moderna composição.<br />
E nossas almas tropeçam, uma na outra, aos trambolhões.</p>
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		<item>
		<title>As a unplugged blues</title>
		<link>http://danilodiogenes.wordpress.com/2009/10/02/as-a-unplugged-blues/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 22:03:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>danilodiogenes</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>

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		<description><![CDATA[Amanhece. Faz frio também.
E o frio que amanhece
Dentro de mim vive, e cresce
Como espinhos,
Que o frio não tem.
Que importa se as aves cantam,
Se meus ouvidos apenas
Ouvem as tão duras penas
De um piano velho
E surdo?—Tam! tam!—
Amanhece, e a música oca
Toma em seu vazio centro
O frio em que me concentro
Feito o som que
A manhã toca&#8230;
Amanhece a fria [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=danilodiogenes.wordpress.com&blog=8085887&post=68&subd=danilodiogenes&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Amanhece. Faz frio também.<br />
E o frio que amanhece<br />
Dentro de mim vive, e cresce<br />
Como espinhos,<br />
Que o frio não tem.</p>
<p>Que importa se as aves cantam,<br />
Se meus ouvidos apenas<br />
Ouvem as tão duras penas<br />
De um piano velho<br />
E surdo?—Tam! tam!—</p>
<p>Amanhece, e a música oca<br />
Toma em seu vazio centro<br />
O frio em que me concentro<br />
Feito o som que<br />
A manhã toca&#8230;</p>
<p>Amanhece a fria canção!<br />
E, no entanto, minha cela<br />
É o medo que me congela&#8230;<br />
Como é que saio<br />
Desta prisão?&#8230;</p>
<p>Como é que contente passo<br />
Deste musical ambívio,<br />
E abro meus olhos por o alívio<br />
De ter passado,<br />
Morto em cansaço?</p>
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